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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Greve, por quê?


Hoje iniciamos mais um período de paralisação. Reconheço que o movimento grevista é uma manifestação legítima no mundo do trabalho e apesar de no serviço público ainda não está regulamentada no todo é sim uma ação legal. A greve no Estado Democrático de Direito é imprescindível. Tem um caráter institucional e político que garanti o direito de oposição àqueles que se sentem ameaçados em seus direitos. Em geral, tal movimento só é deflagrado quando o diálogo entre empregadores e empregados não leva a convergência, ao acordo. Quando uma categoria funcional inicia o movimento grevista sabe exatamente o que quer e aonde quer chegar. Entretanto há neste movimento de hoje uma perspectiva incerta. Falo isto porque participei ativamente da mesa de negociação como representante da base, juntamente com membros da atual diretoria do SINSEPEAP e secretários do GEA. Chegamos onde era possível, apesar de não ser o ideal. Neste sentido, a atual greve dos profissionais em educação pública do Estado do Amapá levará há dois cenários futuros: - Primeiro, se os representantes do GEA ocultaram dados/informações, em outras palavras – mentiram, durante as rodadas de negociação ao final do período grevista o Governo forçosamente terá que dá mais 5% de aumento que a diretoria do sindicato exige, além dos 15% já negociados e não aceitos pela diretoria e parte da base; - Segundo, se os representantes do GEA, por certo prestaram as informações corretamente ao final do período de paralisação seja esta de dias ou meses nada será dado uma vez que em matéria de execução orçamentária aquilo que não existe realmente não existe. Nos dois casos uma das duas Instituições sairá desmoralizada. Por isto, votei contra a greve. Para mim o instituto da greve não se presta para diminuir ninguém. Trata-se de um debate de ideias ou práticas. Na atual conjuntura não é um fato para impor vontades mais um momento para estabelecer o diálogo e dirimir empecilhos. Eis a razão de ser de uma greve numa realidade democrática. Por isso a indagação do título deste exercício, pois acredito que os professores estão indo à greve por uma grande atitude de irresponsabilidade: ou da atual diretoria do SINSEPEAP ou dos representantes do GEA. E o mais interessante é que o próprio movimento vai apontar quem é quem neste processo. — Profº Gil Barbosa. Sindicalizado e funcionário do GEA.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS.

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui
para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do
que futuro.

Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de cerejas. As
primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas,
rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em
reuniões onde desfilam egos inflados. Inquieto-me com invejosos
tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos
e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar
da idade cronológica, são imaturas.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo
de secretário geral do coral. "As pessoas não debatem conteúdos,
apenas os rótulos".

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa…

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com
triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua
mortalidade…


Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. O essencial
faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!

Mário Coelho Pinto de Andrad (1928/1990), poeta, ensaísta e escritor angolano